Por Renan Augusto Moraes Conceição – Doutorando em Turismo no PPGTUR EACH USP
Recentemente o tema da Inteligência Artificial Generativa entrou em debate no mundo da tecnologia e trouxe implicações éticas, teóricas e práticas. Essa ferramenta cria conteúdo a partir dos comandos em texto, permitindo o diálogo fluido e quase natural de uma pessoa com um programa de computador. Mas como o setor de turismo está se relacionando com a Inteligência Artificial?
Tabela de Conteúdo
OpenAI e o Start da Corrida pelas IA’s
Foi no final de 2022 que a empresa de tecnologia OpenAI chamou a atenção ao anunciar e disponibilizar ao público a ferramenta ChatGPT, que é capaz de gerar conteúdo a partir de comandos de texto. Essa ferramenta causou um alvoroço no setor da tecnologia, dando início a uma corrida das grandes empresas para a disponibilização de suas próprias ferramentas de Inteligência Artificial.
A novidade foi tão impactante que logo se tornou claro que a inteligência artificial generativa havia chegado para ficar. Com o uso massivo dessa tecnologia, algumas posições profissionais passaram a ser colocadas em xeque: haverá futuro para profissões burocráticas e outras tantas em um mundo com IA tão avançada?
É nesse contexto que o setor do turismo também começou a sofrer impactos. O ChatGPT, por exemplo, mostrou resultados interessantes e por vezes preocupantes quando solicitado a gerar roteiros turísticos e determinar melhores rotas de viagem.
Mesmo com erros às vezes escandalosos, a ferramenta se mostrou bastante útil, facilitando o trabalho de busca de melhores formas de se realizar uma viagem. E, por ser uma ferramenta com a mais avançada das tecnologias de programação, mesmo os erros podem e são corrigidos através do aprendizado da máquina, pois ela se atualiza a todo o momento com informações disponíveis na internet.
O Setor Turístico e a Receptividade para com as IA’s
A pesquisa acadêmica atualmente, tem se voltado para determinar como o mercado de trabalho irá absorver essa nova tecnologia. No entanto, o turismo, por seu dinamismo próprio, tem se mostrado resiliente aos grandes impactos dessa ferramenta.
No começo dos anos 2000, com a massificação da internet, o temor era o de que a profissão de agente de viagens iria desaparecer, já que seria possível procurar e comprar tudo diretamente, sem a necessidade de intermediários, o que não ocorreu e, ao contrário, a internet facilitou o trabalho desses profissionais, sendo hoje um elemento essencial nesse setor.
O uso de inteligência artificial no setor do turismo pode contribuir muito para a melhoria da qualidade da experiência do turista. A utilização dessa tecnologia pode permitir previsões mais acertadas sobre o clima; linhas de transporte redesenhadas a partir do fluxo de pessoas e de horários mais concorridos; agendamento de visitas a atrativos turísticos de acordo com o caminho escolhido pelo turista; emissão de documentos de viagem de acordo com a jornada; personalização de roteiros ainda mais pessoais do que os já possíveis.
O que esperar do futuro?
Para os profissionais, a inteligência artificial, antes de ser uma ameaça, pode facilitar os processos de ordem burocrática. Isso e muito mais pode ser vislumbrado com a adoção de ferramentas de Inteligência Artificial, adotando critérios éticos, morais e de justiça social, de forma a permitir a todas as pessoas o acesso aos benefícios dessa tecnologia e, de fato, beneficiando os trabalhadores do setor.
É evidente que nos anos seguintes, muitos desafios relacionados a implementação e aperfeiçoamento das IAs no setor surgirão, mas é inegável o potencial de avanço que elas podem trazer, se utilizadas de forma correta. Quais novidades podemos esperar para o setor turístico em um futuro não tão distante?
Texto por:
Prof. Me. Renan Augusto Moraes Conceição.
Doutorando em Turismo pela EACH/USP – Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo. Mestre em Comunicação pela UEL – Universidade Estadual de Londrina (2019). Especialista em Marketing e Gestão de Pessoas pelo INBRAPE-FECEA (2011). Bacharel em Turismo pela Faculdade Estadual de Ciências Econômicas de Apucarana – FECEA (2009). Pesquisador do Labor Movens – Grupo de Estudos e Pesquisas em Condições de Trabalho no Turismo, vinculado à Universidade Federal do Tocantins – UFT. Possui experiência nas áreas de turismo, hotelaria, marketing e agências de viagens, já tendo trabalhado em diversos hotéis, agências de viagens e também em hotelaria hospitalar.
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